INVESTIGAÇÃO
À procura de sangue artificial
Investigadores da Universidade de Aveiro (UA) estão a criar um composto sintético para substituir o sangue em cirurgias, urgências ou transplantes.

15:39
04 de Dezembro 02

O departamento de Química da Universidade de Aveiro está à procura de alternativas viáveis ao sangue, baseadas em compostos conhecidos como perfluorocarbonetos (PFC's).

Estes elementos sintéticos podem funcionar como substitutos do sangue na função de transporte de oxigénio, segundo a investigadora principal do estudo, Isabel Marrucho.

Estes compostos sintéticos «têm uma capacidade de solubilização de oxigénio e dióxido de carbono muito maior do que a hemoglobina».



A cientista adiantou ainda que não são tóxicos, são biocompatíveis, não são absorvidos pelos tecidos e apresentam baixa tensão superficial, o que os torna uma «alternativa promissora».

Segundo Isabel Marrucho, a mais-valia dos PFC's é a possibilidade de poderem ser utilizados em situações de emergência, quando não existem tipos de sangue compatível, em casos religiosos que impeçam as transfusões, na oxigenação de tecidos e de órgãos em operações ou
transplantes.

Estes compostos alternativos, completamente sintéticos e
inócuos, destinam-se a ser apenas utilizados em situações pontuais até o próprio organismo começar a fabricar o sangue necessário para o funcionamento normal do corpo, até porque têm um tempo de retenção no organismo de apenas duas semanas.

«Ao fim deste tempo, são excretados sob a forma de vapor nos pulmões, ou pela urina», explicou a docente.