Director Mário Bettencourt Resendes    Director Adjunto António Ribeiro Ferreira
Terça Feira
25 de Junho
de 2002
edição n.2368

 
 
Tecnologia: Aveiro estuda alternativa biodegradável ao plástico

RUI CUNHA


O Centro de Química Inorgânica e de Materiais do Departamento de Química da Universidade de Aveiro (UA) tem em mãos um projecto de investigação que visa estudar a possível aplicação do ácido poliláctico à embalagem de alimentos. Este polímero apenas é produzido à escala industrial nos Estados Unidos, país onde foi já autorizada a sua utilização para esta finalidade pela Food and Drugs Administration. Todavia, na Europa, a inexistência de estudos concretos sobre este composto inviabilizou até agora o seu uso.

Trata-se de um material de acondicionamento alternativo ao plástico tradicional, com a vantagem de ser biodegradável e de apresentar propriedades mecânicas (é possível produzir películas flexíveis) que o aconselham para a indústria da embalagem.

Está por conhecer, porém, qual o grau de permeabilidade dos alimentos ao produto, ou seja, a eventualidade de contaminação. São análises nesse campo que vão ser executadas pela unidade de investigação da UA, através de testes com aromas-tipo e filmes de ácido poliláctico.

Uma das grandes vantagens em utilizar este composto em vez dos materiais habitualmente usados, como o poliestireno ou o poliproprileno, é o facto de a sua produção ser feita a partir de produtos naturais, nomeadamente o milho, o que garante a sua biodegradabilidade.

A Colorado School of Mines (EUA), uma das instituições parceiras da UA neste projecto, já efectuou testes no sentido de avaliar a possibilidade de este produto ser utilizado em sacos para supermercados. Os resultados indicam que as propriedades mecânicas são adequadas à finalidade para que está a ser estudada, mas foi encontrada, no entanto, uma limitação: é um material que dificulta a impressão de imagens, como logótipos dos estabelecimentos comerciais, por exemplo.

O projecto da instituição universitária aveirense, coordenado pela investigadora Isabel Marrucho Ferreira, apenas agora se está a iniciar, devendo prolongar-se durante três anos. A intenção da equipa é alargar o âmbito da investigação a outros compostos, uma vez que, de acordo com os cientistas da UA, existem outros novos biomateriais, com propriedades idênticas às do ácido poliláctico, que poderão ser aproveitados para o mesmo fim.